Porque as bizarrices cotidianas devem ser comentadas

quinta-feira, 7 de março de 2013

Coisas para com as quais eu não tenho saco

Sejamos realistas, é impossível enumerar de uma só vez tudo para o que eu não tenho saco, já que não tenho saco para quase nada. A lista é praticamente infinita e acredito que o blogger nem aceite tamanha quantidade de caracteres em um só post. Ou no blog como um todo. Deve ter um limite, sei lá.

Levando isso em consideração, vamos comentar sobre nego pau no cu que saiu lá da pemba, nem mãe deve ter, sendo então um legítimo filho de chocadeira e paga de rico com origem fazendo uso do alto orçamento de terceiros.

Aquele tipo que compra bolsa Hermés porque ouviu dizer que é bonito andar por aí carregando uma Kelly. Não porque saiba o valor real de uma coisa dessa qualidade. Nem a origem da bolsa. Nem o motivo pelo qual passou a se chamar Kelly, o que aconteceu 20 anos após sua criação. Longe de mim exigir que todos saibam, mas quem afirma possuir sofisticação acima da média, normalmente tá ligado nissaê.

Que vai num restaurante blaster só porque é caro, não porque gosta do lugar e não sabe pronunciar coisas como "steak au poivre vert" (istík áu póivre). Não que nego tenha obrigação de saber pronunciar o francês corretamente, mas lembrem-se de que este ser está pagando de quatrocentão. Quem é quatrocentão SABE falar "steak", SABE falar 'au", SABE falar "poivre" e SABE falar "vert". Se não souber, não vê mal nenhum em apontar para o maître o prato no menu. 

Aquela criatura que adquire um par de brilhantes "baratíssimo" por apenas 45 mil reais e não tem nem pista de que aquilo que está na sua orelha, NÃO É um brilhante, apesar de sim, ser um diamante. Não faz ideia que o brilhante é uma das muitas lapidações que existem para a pedra. Nem imagina como identificar este talhe, que é uma parada redonda com 57 ou 58 facetas. Não sabe que este é o modelo que dá mais brilho e beleza à porra do diamante e que, de tão solicitada, acabou virando um sinônimo popular, além de ser o símbolo do amor eterno. De novo: ninguém tem obrigação de saber essas merda. Mas garanto que Carmen, meus amores, sabe. Por isso que não dá pra PAGAR de Carmen, ok?

Gente que comenta sobre o maravilhoso Chesterfield que comprou para tacar no living e obviamente nunca ouviu falar em Paschoal Ambrosio pois, na hora em que tu entra na sala em questão [susto], dá de cara com um belo sofá que não é um Chesterfield. É um exemplar muito bonito, estofado em capitonê, mas...........colega, Chesterfields não são coisas capitonês, caraleos. Posso fazer almofadas capitonê pros meus cachorros, pombas. Não serão almofadas Chesterfield, olha que coisa louca. Um Chesterfield é um modelo específico e repito: quem é obrigado a saber? Ninguém. Mas quem cresceu em meio ao luxo e riqueza oriundos da fortuna de 15 gerações, meus caros, SABE. Por isso, não dá para tentar se passar por alguém que cresceu em meio ao luxo e riqueza oriundos da fortuna de 15 gerações. Pulfavô.

Já que tá pagando de rico, me conte: por que não se informa? Tentar aprender alguma coisa, nem pensar, né? Ostentar e proferir batatadas como "personel stelly" é o que pega, certo?

ERRADO

Mais errado ainda é menosprezar quem não é ~rico~ sem sequer pensar que estirpe e fortuna infelizmente são conceitos quase que auto-excludentes no século XXI. 

Ainda pior é difamar pessoas que não são ~ricas~ sugerindo por aí que alguns andam em situação de ~pobreza~ tão humilhante que se vêem obrigados a furtar os próprios amigos para poder sobreviver.

E o mais grave é dizer que compreende o ato e não julga o suposto ladrão, já que passar necessidade é uma condição que merece indulgência, não condenação.

Tomar no cu, viu. Só tem assombração nessa vida, puta que o pariu. Literalmente.

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